Abril Indígena no Campus Brasília: Guata Porã – Dançando e Circulando a Floresta com os Ancestrais
O mês de abril é um marco de memória, resistência e celebração dos povos originários no Brasil. No IFB Campus Brasília, o Abril Indígena ganha vida por meio de oficinas que colocam o conhecimento ancestral no centro da formação acadêmica, e a oficina de 29/4, Guata Porã – Dançando e Circulando a Floresta com os Ancestrais, foi um exemplo disso.
Guata Porã, que, na língua guarani, significa “caminhar bonito”, propõe mais do que uma atividade artística. A oficina, que ocorreu no hall do bloco B, foi um convite para reconectar o corpo, a terra e a história por meio da dança circular, da música e dos símbolos presentes em instrumentos como o maracá e o arco e flecha. Ao dançar de mãos dadas, estudantes e educadores vivenciaram, na prática, o sentido de coletividade que estrutura as cosmologias indígenas, em que o indivíduo só existe em relação com a comunidade e com a natureza.
A importância dessa vivência no campus está em três pontos:
1) Valorização e visibilização: o Abril Indígena rompe com a invisibilidade histórica dos povos originários no espaço acadêmico. Trazê-los para o centro do debate, com suas linguagens, saberes e estéticas, é afirmar que a universidade também é território indígena.
2) Educação para o respeito e a diversidade: a oficina promoveu o encontro intercultural de forma sensível e não folclorizada. Não se trata de observar a cultura indígena de fora, mas de circular junto, aprender com o movimento, com o ritmo e com o cuidado com os ancestrais. Isso fortalece o combate ao preconceito e ao racismo estrutural.
3) Formação integral: o conhecimento não se limita ao que está nos livros. Dançar, ouvir e sentir são também formas de aprender. A oficina ampliou a compreensão de sustentabilidade, espiritualidade e relação com o meio ambiente, temas urgentes para a sociedade contemporânea.
O Abril Indígena no IFB Campus Brasília reafirma o compromisso do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) com uma educação antirracista, plural e viva. Guata Porã lembra que caminhar bonito é caminhar junto, honrando quem veio antes e construindo um futuro mais diverso para todos que ocupam esse espaço.

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