Professor do IFB investiga muro histórico de pedra associado à memória do trabalho escravo no Cerrado
Um muro de pedra seca com extensão estimada em pelo menos oito quilômetros, localizado entre Planaltina (DF) e Formosa (GO), pode guardar registros da ocupação histórica do Cerrado e da memória do trabalho escravo na região. A estrutura foi encontrada em 2007 pelo agricultor Sandro Rosa Matos, no Assentamento Oziel Alves III, na Área de Proteção Ambiental (APA) do Pipiripau. O trecho já percorrido ultrapassa um quilômetro e apresenta aproximadamente 1,20 metro de altura. A construção utiliza uma técnica em que as pedras são encaixadas umas sobre as outras, sem o uso de argamassa.
O professor Adeilton Oliveira, do Campus Brasília do Instituto Federal de Brasília (IFB), que pesquisa a história do Cerrado, investiga a origem e a função da estrutura. Segundo ele, este é o primeiro muro com essas características identificado em Planaltina, embora existam construções semelhantes em outras regiões de Goiás. Uma das hipóteses é que o muro tenha sido utilizado para delimitar antigas sesmarias, grandes extensões de terras concedidas pela Coroa Portuguesa nos séculos XVII e XVIII. Também está em investigação a possibilidade de que a construção tenha sido realizada por pessoas escravizadas, o que poderia relacionar a estrutura à história do trabalho escravo no Distrito Federal.
Para aprofundar a pesquisa, o professor pretende realizar expedições para mapear toda a extensão do muro e buscar documentos históricos que ajudem a esclarecer sua origem. Entre as questões investigadas estão o período da construção, a identidade dos proprietários das terras e a participação de pessoas escravizadas na obra. A extensão total da estrutura e sua finalidade ainda não foram determinadas.

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