Docentes do IFB participam de formação para educação inclusiva
Na última terça-feira, 14 de abril, data em que é celebrado o Dia Nacional de Luta pela Educação Inclusiva, os docentes dos cursos subsequentes Técnico em Eletrônica e Técnico em Equipamentos Biomédicos do IFB Campus Ceilândia participaram de uma formação estratégica e fundamental para garantir a permanência de estudantes com deficiência visual e promover um aprendizado significativo.
O encontro promovido pelo Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Específicas (Napne), em parceria com o Centro de Acesso e Pesquisa em Tecnologia Assistiva (CAPTA), teve a presença dos professores do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), Fernando Rodrigues e Heldo de Moraes. A formação trouxe momentos de sensibilização e esclarecimentos sobre os diferentes tipos de cegueira, orientações em como abordar e guiar um estudante cego pelo campus e instruções sobre o uso de material adaptado para o ensino desses estudantes, um desafio que exige não apenas sensibilidade, mas também técnica e criatividade, especialmente em áreas tão práticas e visuais quanto os eixos de tecnologia e de saúde.
Matemática Inclusiva: Do Abstrato ao Tátil
A formação explorou também o uso de materiais para o ensino da matemática, abordando o desafio de como lecionar sobre funções algébricas e cálculos de grandeza sem depender exclusivamente da lousa. A matemática, muitas vezes vista como uma barreira para alunos cegos ou com baixa visão, foi abordada através de metodologias adaptadas:
- Uso do Sorobã e Multiplano: Ferramentas que permitem a manipulação de operações matemáticas e a construção de gráficos de forma tátil;
- Transcrição em Braille e Linguagem Matemática: A importância da correta tradução de fórmulas complexas para que o aluno tenha autonomia na leitura e resolução de problemas;
- Geometria Tátil: O uso de materiais de baixo custo (como barbantes, colas coloridas e texturas) para representar formas geométricas e sinais senoidais, essenciais na eletrônica.
O Significado da Data
Realizar esse evento no dia 14 reforça que a educação inclusiva não deve ser apenas um conceito teórico, mas uma prática cotidiana. Para os professores de áreas técnicas, o desafio é duplo: manter o rigor acadêmico necessário para o mercado de trabalho enquanto se desenvolve uma pedagogia do cuidado e de adaptação.
“A inclusão acontece quando deixamos de olhar para a limitação e passamos a focar no desenvolvimento das potências. Na eletrônica, se o sinal não passa, a gente ajusta o circuito. Na educação, o raciocínio deve ser o mesmo”, enfatiza a professora Patrícia Silva Santiago Melo, coordenadora do Napne.
Caminho para o Futuro
Ao final do encontro, ficou claro que a formação de um Técnico em Eletrônica ou em Equipamentos Biomédicos que possui deficiência visual é perfeitamente possível e necessária.
Este passo dado pelos docentes reafirma o compromisso da instituição em oferecer educação de qualidade, que valoriza as diferenças e reconhece as potencialidades de cada aluno.
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