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Não basta ter uma educação não racista. Ela tem de ser antirracista

Criado: Sexta, 20 de Novembro de 2020, 07h09 | Publicado: Sexta, 20 de Novembro de 2020, 07h10 | Última atualização em Quarta, 18 de Novembro de 2020, 17h09 | Acessos: 538

“Numa sociedade racista não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. No ano em que a frase da filósofa americana Angela Davis ganhou as redes sociais no país e mundo afora, a necessidade de que o discurso saia do mundo virtual e instale-se, de fato, na estrutura social do Brasil torna-se imediata. E uma das principais formas disso acontecer é por meio da Educação, com a construção de uma Educação Antirracista.

Mas, afinal, o que é uma Educação Antirracista?

Segundo Renata Costa – professora de História e História da Educação do Campus Estrutural do Instituto Federal de Brasília (IFB) – o primeiro passo para construí-la é por meio do reconhecimento de que o racismo é um problema estrutural da sociedade e não apenas uma questão de indivíduos.

“Uma educação antirracista é, em primeiro lugar, uma educação que reconhece que nós vivemos em um país racista. Uma educação que reconhece que toda a estrutura e organização social do nosso país é pautada no racismo”, destaca a professora.

O Brasil viveu mais de 300 anos de escravidão, que só foi abolida há pouco mais de 130 anos e que ainda convive com silenciamento em relação à condição de exclusão e injustiça social que o negro sofreu durante todo esse tempo.

“Só a partir do momento em que tem esse reconhecimento é que nós somos capazes de criar sujeitos, indivíduos, educandos que sejam capazes de ter um posicionamento crítico, de reconhecer ‘sim, nós vivemos em um país racista’, então como eu devo me portar, como eu devo me colocar diante dessa situação?”, analisa Renata.

A professora Jaqueline Coêlho, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do Campus São Sebastião também reforça essa necessidade de reconhecer, assumir e debater o tema.

“Se a gente não assume uma prática educacional antirracista, naturalmente a nossa prática vai ser racista, porque o nosso país adotou sistematicamente como projeto a anulação e a omissão das discussões sobre relações raciais. Faz parte de um projeto racista que a gente não se entenda como racista e que a gente evite falar sobre esse tema”, explica Jaqueline.

 

Materiais Didáticos

Em 2008 foi sancionada a lei n.º 11.645, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Apesar de ser muito importante a lei, por si só ela não é capaz de promover a mudança na cultura racista do país.

“Dificilmente a gente lê mulher e negros. É preciso ampliar nossos currículos para leitura desses autores, como sujeitos construtores de conhecimentos importantes de outros saberes”, destaca Jaqueline, que enfatiza que a inclusão de uns não pressupõe, necessariamente, a substituição de outros.

“É ampliar o repertório, é romper com hierarquias, é colocar em igualdade para as instituições esses outros saberes que são tão importantes quanto, que são constituições de mundo e outras visões que podem fortalecer e emancipar o nosso mundo”, avalia.

Renata destaca que é necessário que a abordagem da cultura africana, da cultura da população negra brasileira não se resuma apenas ao momento do primeiro contato dos europeus com o Brasil.

“Tem que ser mais que isso; temos que ir além disso. Precisa que se valorize a cultura, as manifestações culturais diversas da população negra. Que o aluno negro e o aluno de forma geral, eles precisam ver que o destino do negro não é o lugar da pobreza, não é o lugar da exclusão. A gente tem que trabalhar muito nesse sentido”, afirma Renata.

Jaqueline reforça a importância de abrir o debate e incluir todas as pessoas nessa luta.

“A educação antirracista ou a luta antirracista não deve ser uma luta só de negros e negras. É importante que pessoas brancas entendam o seu lugar na luta antirracista, que lutem juntos contra o racismo. Assumir esse lugar numa luta antirracista”, finaliza.

 

SERNEGRA

Para marcar o Dia da Consciência Negra, celebrado nesta sexta-feira, 20, o Instituto Federal de Brasília realiza, de 24 a 27 de novembro, a nona edição da Semana de Reflexões sobre Negritude, Gênero e Raça do SERNEGRA, que neste ano traz como tema “A periferia é o Centro”.

Em função da situação de pandemia provocada pela Covid-19, neste ano o evento acontece de modo virtual. As inscrições estão abertas no site do evento: even3.com.br/ix_sernegra.

 

Cinco Passos para construirmos uma Educação Antirracista

  • Reconheça que vivemos em um país racista e que o racismo é um problema estrutural.
  • Reflita: Como eu devo me posicionar nessa luta? Lembrar que o Brasil é um país majoritariamente negro. Práticas antirracistas são práticas democráticas e não apenas voltadas a um “grupo”.
  • Valorize a cultura, manifestações culturais, ideias e produções de conhecimentos da população negra.
  • Valorize a identidade do aluno negro.
  • Essa não é uma luta só de negras e negros. Assuma o seu lugar na luta antirracista. A branquitude também é parte da questão racial e precisamos discutir isso.
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