EstAção IFB | Os cantos de improviso: Repente
O Repente é uma manifestação artística que marca a história da literatura e da música brasileira. Por meio do improviso poético-musical, tem o propósito de expressar a cultura popular, retratar o cotidiano do povo e entreter o público ao transmitir a realidade sobretudo do sertão, contribuindo para manter vivas as raízes culturais do país.
Reconhecido em 2021 como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Repente registra acontecimentos históricos, expressa críticas sociais e fortalece os laços entre gerações, mantendo viva uma tradição centenária de memórias.
Baseado na oralidade, a manifestação cultural é praticada por cantadores, geralmente em dupla, acompanhados por viola. Os poetas criam estrofes de forma improvisada sobre diferentes temas, obedecendo a regras de métrica, rima e ritmo. Essa manifestação surgiu no interior do Nordeste, ainda no século XIX, influenciada pelas tradições trovadoras europeias e por elementos das culturas indígena e africana.
Para falar sobre esse tema, o EstAção IFB recebeu João Santana, músico, escritor e produtor cultural. O brasiliense acumula títulos em competições de cantoria de improviso, incluindo experiências internacionais, e é uma das principais referências na salvaguarda da Literatura de Cordel e do Repente. Durante o bate-papo, ele fala sobre a importância da preservação desse tesouro nacional, resgata sua história e explica as regras que orientam a composição dos versos improvisados.
Para ele, é necessário ampliar a presença dessa manifestação em escolas, universidades e espaços públicos, aproximando as novas gerações dessa prática e assim garantir sua continuidade.
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