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Pesquisadores do IFB apresentam projetos de educação antirracista em congresso

Criado: Segunda, 03 de Agosto de 2026, 13h02 | Publicado: Segunda, 03 de Agosto de 2026, 13h02 | Última atualização em Segunda, 03 de Agosto de 2026, 13h16 | Acessos: 140

No dia 29 de julho, Pesquisadores do Instituto Federal de Brasília (IFB) apresentaram cinco projetos voltados à educação antirracista durante o II Seminário Nacional Redes Antirracistas MIR–UnB. A atividade integrou a programação do XIV Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as (XIV Copene), realizado entre os dias 28 a 31 de julho de 2026, na Universidade de Brasília (UnB).

As apresentações ocorreram em uma única sessão, formada pela integração das mesas 1  e 2: Redes Antirracistas – MIR/IFB: Educação Antirracista no Instituto Federal de Brasília. A atividade foi realizada das 10h30 às 12h30, no Instituto Central de Ciências (ICC Norte) da UnB, e reuniu experiências desenvolvidas nos campi Brasília, Ceilândia, São Sebastião e Taguatinga.

Participaram da sessão Rebeca da Conceição Teixeira, Fernanda Isadora A. Oliveira, Raquel de Souza Barbosa Silva, Dayane Augusta Santos da Silva, Pedro Couto, Julwaity Quaresma Cardoso Pimentel Neto e Lucas Romano. A mediação foi realizada por Cleide Lemes da Silva Cruz, do IFB e atualmente lotada no Ministério da Igualdade Racial, e Leandro de Carvalho Nascimento, do Ministério da Igualdade Racial.

Dayane Augusta Santos da Silva, professora do IFB Campus Brasília, apresentou a pesquisa “A infância em contextos anticoloniais: o cotidiano infantil ngola-africano”, desenvolvida com as ex-estudantes Amanda Alves dos Santos e Débora Helena Alves de Oliveira. O trabalho analisou fotografias produzidas durante a luta pela independência de Angola, entre 1961 e 1974, com o objetivo de dar visibilidade às experiências, às formas de sociabilidade e à atuação das crianças negro-africanas naquele contexto.

A pesquisa oportunizou  a realização de uma exposição fotográfica no Campus Brasília, reunindo registros preservados pela Associação Tchiweka de Documentação, em Luanda. A proposta buscou questionar representações estereotipadas das infâncias negras e apresentar  crianças angolanas como sujeitos históricos ativos.

Raquel de Souza Barbosa Silva apresentou, com Rebeca da Conceição Teixeira e Fernanda Isadora A. Oliveira, o estudo “Da reserva de vagas à matrícula: efetividade da política de cotas no Campus Brasília do Instituto Federal de Brasília (2013–2025)”. A pesquisa analisou editais, normas institucionais e dados de inscrições e matrículas em quatro cursos superiores do Campus Brasília.

"Os resultados apontaram maior efetividade da política entre 2016 e 2020, período em que os estudantes cotistas representaram, em média, 53,3% das matrículas. Entre 2021 e 2025, o percentual foi reduzido para 24,5%, demonstrando que a garantia formal da reserva de vagas precisa ser acompanhada de condições institucionais que possibilitem sua conversão em matrículas efetivas", afirma Pedro Couto, professor e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do IFB Campus São Sebastião.

Pedro Couto apresentou “Memórias de Terreiro: episódios de racismo religioso segundo a voz de integrantes de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros e de Matriz Africana”. A pesquisa foi desenvolvida com Gleice Iara da Silva Sousa, estudante da Licenciatura em Letras – Português, e Ana Beatriz da Silva Carvalho, estudante do curso Técnico em Administração Integrado ao Ensino Médio.

Baseado em entrevistas com mulheres candomblecistas, o projeto resultou na produção de cinco ensaios teórico-narrativos. Os textos registram experiências de racismo religioso e abordam temas como memória, ancestralidade, visibilidade pública, cultura e território. A pesquisa compreende as narrativas das entrevistadas como formas legítimas de produção de conhecimento e reafirma os terreiros como espaços de resistência, cuidado e cidadania.

O professor Julwaity Quaresma Cardoso Pimentel Neto, do Campus Taguatinga, apresentou o projeto de extensão “Educar para a igualdade: formação antirracista”, desenvolvido com o professor Lucas Barbosa de Melo e as alunas Ana Quézia Cezar dos Santos e Beatriz de Oliveira Xavier.

A iniciativa promoveu um curso de letramento racial destinado a educadores, estudantes, futuros professores e ativistas sociais. A formação ofereceu fundamentos teóricos e metodológicos para a aplicação da Lei nº 10.639/2003 e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas comprometidas com a equidade racial e de gênero. As atividades foram realizadas no IFB Campus Taguatinga com participação de profissionais de diversas áreas e ativistas, de escolas do Distrito Federal e do Entorno, e visitas técnicas à Fazenda Babilônia, Pirenópolis-GO e ao Quilombo Mesquita, na Cidade Ocidental-GO.­

Lucas Romano, professor do Campus Ceilândia, apresentou “Cubo Mágico e Redes Antirracistas: transformação e aprendizagem na escola técnica”, desenvolvido com os estudantes Jailson dos Santos Campelo e Jakeline da Silva Pires.

O projeto utilizou o cubo mágico como recurso pedagógico para articular o desenvolvimento do raciocínio lógico, da autonomia e da persistência às discussões sobre racismo, identidade e diversidade. As oficinas realizadas ao longo de 2025 envolveram estudantes, bolsistas, servidores e integrantes da comunidade externa e contribuíram para o fortalecimento do protagonismo juvenil e de práticas educativas comprometidas com a equidade racial.

O II Seminário Nacional Redes Antirracistas MIR–UnB reúne pesquisadores, docentes, estudantes, representantes de movimentos sociais e gestores públicos de diferentes regiões do país. A participação do IFB apresentou resultados de projetos desenvolvidos em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, evidenciou a articulação entre pesquisa, ensino e extensão e reforçou a atuação dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabis), bem como a visibilidade de suas produções no âmbito do IFB.

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