Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Portuguese Portuguese
pt Portugueseen Englishes Spanish
Página inicial > Riacho Fundo > “Demarcação de telas”: cinema indígena toma conta do IFB Riacho Fundo
Início do conteúdo da página

“Demarcação de telas”: cinema indígena toma conta do IFB Riacho Fundo

Criado: Terça, 14 de Abril de 2026, 09h59 | Publicado: Terça, 14 de Abril de 2026, 09h59 | Última atualização em Terça, 14 de Abril de 2026, 10h02 | Acessos: 45

  “Luz, câmera e Yuxibu: cinema, memória e resistência afro-indígena na Amazônia” contou com exibição de curtas e palestras nessa segunda-feira, 13 de abril, entre 13h30 e 16h, no IFB Campus Riacho Fundo.

A atividade, realizada com o apoio do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), foi conduzida pela agroecóloga Gio Rodrigues Soto Lizana, que em sua palestra fez uma apresentação retrospectiva acerca da situação dos povos indígenas e povos tradicionais no Brasil, sensibilizando os presentes acerca das violências sofridas por esses povos durante a colonização até os nossos dias. Gio destacou em sua fala “a força e a criatividade das comunidades tradicionais que, ancorados em sua ancestralidade, resistem às sucessivas tentativas de silenciamento e aniquilação”.

Em seguida, o cacique Siã Huni Kuî, primeiro cineasta indígena do Brasil, fez um relato de sua experiência na área, ressaltando a importância do olhar indígena nas artes visuais para a construção da memória histórica e cultural do nosso país com a inclusão da perspectiva indígena. Siã pontuou as oportunidades que a arte proporcionou, não apenas para si, mas para seu povo.

Por sua vez, a cientista social Alice Vieira trouxe reflexões sobre a relevância de se conhecer e dar visibilidade às epistemologias da floresta como resistência ao etnocentrismo acadêmico. Para ela, o cinema indígena é uma forma de resistência à invisibilização imposta pela cultura ocidental e pelo racismo institucional, revelando-se como uma potente ferramenta pedagógica decolonial.

Encerrando a rodada de palestras, o cineasta e gestor de projetos Dani Matos contou um pouco de sua trajetória. Nascido no Amapá, mudou-se para a Argentina, onde cursou cinema na Universidad Nacional de La Plata e fundou sua produtora audiovisual (@kinestesia.films). Ao retornar para o Brasil, está desenvolvendo um projeto de digitalização e recuperação de acervos indígenas, com o propósito de preservar e difundir esse acervo para um público mais amplo.

Ao longo do evento, as falas foram intercaladas por curtas e trechos de documentários produzidos por Siã Huni Kuî e por Dani Matos.

Os palestrantes fizeram alusão à expressão "demarcação de telas", conceito cunhado por Ailton Krenak e que resume bem a proposta de usar a linguagem do cinema para promover a reflexão, o debate e a presença indígena em diferentes espaços de poder, buscando reconfigurar esses espaços ao oferecer uma perspectiva cada vez mais plural e mais justa.

Professores e estudantes do curso de Licenciatura Letras-Inglês compareceram em peso e agradeceram efusivamente os palestrantes pela oportunidade de conhecer a respeito da importância do trabalho audiovisual para a preservação da memória e o fortalecimento da luta por direitos. A maioria dos/as estudantes afirmou nunca ter tido contato com cinema indígena antes, o que demonstra a importância desse tipo de evento para sua formação.

Saiba mais:

  • Fruto da Aliança dos Povos da Floresta: documentário produzido por Siã Huni Kuin em 1987, sobre a movimentação de indígenas e seringueiros que se uniram contra a exploração e em prol da demarcação de suas terras.
  • Herdarão minha arte: depoimento de Siã Huni Kuî para o Museu da Pessoa.

 

Fim do conteúdo da página