IFB Campus Planaltina coordena implantação de polo de avicultura caipira
O Instituto Federal de Brasília (IFB) Campus Planaltina está coordenando a implantação de um polo de avicultura caipira na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride-DF), em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). A iniciativa busca fortalecer a pecuária, ampliar oportunidades e incentivar o desenvolvimento sustentável da região.
No dia 14 de maio, haverá uma oficina para o planejamento estratégico no IFB Campus Planaltina. A oficina é aberta a todos os criadores interessados. Será um momento para escutar os diferentes atores envolvidos e construir, de forma participativa, os caminhos para a implantação e consolidação do Polo de Avicultura Caipira. Entre os principais pontos a serem discutidos estão a identificação dos produtores da Ride-DF e Entorno, os principais gargalos da atividade, as capacitações prioritárias, a organização da produção, a regularidade da oferta, o atendimento às exigências sanitárias, a estruturação do abate de aves caipiras, o apoio à produção de ovos caipiras, a articulação com mercados, varejo e compras institucionais, além das possíveis parcerias e das responsabilidades de cada instituição.
Segundo o professor Vinícius Machado, um dos coordenadores na iniciativa, a oficina também deverá definir ações de curto, médio e longo prazo com o objetivo de transformar o Polo em uma estratégia construída coletivamente, envolvendo produtores, instituições públicas, setor produtivo, estudantes e comunidade. “Todos serão bem-vindos, e será um prazer receber a comunidade”, disse.
Confira a entrevista do professor Vinícius Machado dos Santos sobre a Avicultura Caipira no Distrito Federal e a instalação do Polo:
1. Qual a diferença entre o frango caipira e o frango convencional?
A principal diferença está no sistema de criação, no ritmo de crescimento, no manejo adotado e no perfil do produto final. O frango caipira é criado, geralmente, em sistema de semiconfinamento, com acesso a piquetes, maior tempo de criação, menor densidade de alojamento e práticas que valorizam o bem-estar animal. Já a avicultura de granja convencional trabalha com linhagens industriais altamente selecionadas, criadas em sistemas mais intensivos, com rigoroso controle ambiental, nutricional e sanitário, buscando alta produtividade em menor tempo. O frango caipira e o ovo caipira são produtos diferenciados, com identidade própria, maior valor agregado e forte relação com a economia local. Por isso, fortalecer essa cadeia produtiva significa também gerar renda, criar oportunidades, valorizar o território e contribuir para o desenvolvimento regional.
2. Uma pessoa que já cria galinhas há muitos anos também precisa de capacitação para trabalhar com criação em granja?
Sim. A experiência prática dos produtores é muito valiosa e deve ser respeitada, mas a produção voltada ao mercado formal exige conhecimentos complementares. Para vender de forma regular ao varejo, restaurantes, programas institucionais ou outros canais mais exigentes, o produtor precisa dominar boas práticas de manejo, biosseguridade, sanidade, nutrição, bem-estar animal, organização da produção, controle de custos, padronização dos lotes e atendimento às exigências legais. A capacitação não vem para substituir o saber do produtor, mas para somar conhecimento técnico à experiência que ele já possui.
3. Há estimativa de quantos criadores de galinhas temos no Ride-DF de Planaltina?
Ainda é necessário consolidar um diagnóstico mais preciso. Sabemos que há uma presença importante de pequenos criadores, agricultores familiares e produtores que mantêm aves em sistemas tradicionais na região de Planaltina e em municípios da Ride -DF e Entorno. No entanto, parte significativa dessa produção ainda ocorre de maneira informal ou pouco registrada, o que dificulta a definição de números exatos. Uma das funções do Polo será justamente ajudar a mapear esses produtores, entender sua realidade, identificar gargalos e construir uma base de dados mais segura para orientar políticas públicas, capacitações e estratégias de organização da cadeia produtiva.
4. Como o polo irá funcionar?
O Polo de Avicultura Caipira deverá funcionar como uma estrutura de apoio técnico, educacional, produtivo e estratégico para a cadeia da avicultura caipira na Ride-DF e Entorno. A proposta é integrar ensino, pesquisa, extensão, capacitação de produtores, organização da produção, apoio à regularização e fortalecimento da comercialização. O IFB Campus Planaltina terá papel importante na execução das ações formativas, no acompanhamento técnico, na articulação com produtores e instituições parceiras, além de utilizar sua estrutura como ambiente de aprendizagem para estudantes e de apoio ao desenvolvimento territorial. O Polo não deve ser entendido apenas como uma obra física, mas como uma estratégia de desenvolvimento regional.
5. O foco será a produção de ovos ou a produção de carne de frango caipira?
O Polo poderá dialogar com as duas frentes: a produção de frangos para abate e a produção de ovos caipiras. No entanto, um dos pontos centrais da proposta é a estruturação do abatedouro de aves caipiras do IFB Campus Planaltina, que terá papel estratégico para apoiar a regularização, a padronização e o fortalecimento da cadeia produtiva voltada ao abate de aves. Além do abate de frangos caipiras, o abatedouro poderá atender também uma demanda importante da cadeia de postura: o abate de galinhas poedeiras ao final do ciclo de produção de ovos. Essa é uma etapa relevante, pois muitos produtores enfrentam dificuldades para destinar corretamente essas aves quando encerram sua fase produtiva. Com uma estrutura regularizada, será possível dar melhor aproveitamento a esses animais, reduzir a informalidade, ampliar a segurança sanitária e agregar valor a uma etapa que, muitas vezes, representa um gargalo para o produtor.
A produção de ovos caipiras também é uma frente importante a ser contemplada nas ações de capacitação, pesquisa, extensão e organização produtiva. Além disso, o campus poderá avançar, dentro do planejamento futuro, na implantação de um entreposto de ovos, o que ampliaria ainda mais a capacidade do Polo de atender diferentes perfis de produtores e diferentes demandas do mercado. Assim, o Polo deve ser compreendido como uma plataforma de fortalecimento da avicultura caipira como um todo, integrando produção de ovos, produção de aves para abate, destinação de poedeiras em final de ciclo, processamento, comercialização, formação profissional e desenvolvimento regional.
6. Como o Polo pretende transformar a produção informal de Planaltina em uma cadeia de valor estruturada, capaz de atender aos padrões exigidos pelo varejo do DF?
O Polo pretende contribuir para transformar a avicultura caipira da Ride-DF e Entorno em uma cadeia produtiva mais organizada, regularizada e competitiva. Para isso, o primeiro passo será conhecer melhor a realidade dos produtores: quem são, onde estão, como produzem, quais dificuldades enfrentam, qual a escala de produção e quais mercados desejam acessar. A partir desse diagnóstico, o Polo poderá atuar em várias frentes, como capacitação dos produtores, melhoria das instalações, planejamento dos lotes, manejo nutricional e sanitário, biosseguridade, bem-estar animal, padronização dos produtos, regularização da produção e organização da comercialização. Esses pontos são fundamentais porque o varejo do DF exige regularidade de fornecimento, qualidade, segurança dos alimentos, rastreabilidade e atendimento às normas sanitárias. A proposta não é olhar apenas para Planaltina de forma isolada, mas para o território da Ride-DF e Entorno como um espaço integrado de produção, circulação e consumo. O IFB Campus Planaltina, junto com o MIDR e demais parceiros, poderá
atuar como articulador técnico e institucional, aproximando produtores, municípios, órgãos públicos, assistência técnica, mercado e instituições de ensino. Dessa forma, o Polo pode ajudar a transformar uma produção muitas vezes informal e individualizada em uma cadeia de valor estruturada, com maior capacidade de negociação, agregação de valor, geração de renda e desenvolvimento regional. O objetivo é que o frango caipira e o ovo caipira deixem de ser apenas produtos locais dispersos e passem a compor uma estratégia organizada de fortalecimento da avicultura caipira no DF, na Ride e no Entorno.
7. Como o planejamento estratégico do polo prioriza a contratação de novos trabalhadores com capacitação para fortalecer a economia de Planaltina?
O planejamento estratégico do Polo deve priorizar a formação de pessoas da própria região, especialmente estudantes, jovens rurais, produtores, trabalhadores locais e pessoas interessadas em atuar na cadeia da avicultura caipira. A implantação do Polo não representa apenas uma estrutura física, mas uma oportunidade de movimentar diferentes atividades econômicas ligadas à produção de aves, produção de ovos, manejo, assistência técnica, transporte, abate, processamento, comercialização, gestão e prestação de serviços. Ao capacitar trabalhadores locais, o Polo contribui para que a mão de obra qualificada permaneça no território, fortalecendo a economia de Planaltina, do DF, da Ride e do Entorno. A ideia é que a avicultura caipira gere oportunidades de trabalho e renda não apenas dentro do campus, mas em toda a cadeia produtiva regional.
8. Em qual etapa exata está a obra física e a instalação dos equipamentos do Polo neste momento?
Neste momento, o Polo de Avicultura Caipira já é uma realidade para o DF e Entorno. Em dezembro do ano passado, realizamos, em parceria com o MIDR, um evento de lançamento da proposta de desenvolvimento dessa iniciativa no território da Ride-DF e Entorno. Agora, avançamos para a etapa de formalização institucional e de organização das próximas fases necessárias à ativação do Polo. É importante destacar que o Polo não se restringe a uma estrutura física; ele representa uma ferramenta de política pública, extensão tecnológica e desenvolvimento territorial. Na prática, é o IFB aplicando plenamente sua lei de criação, a Lei nº 11.892/2008, ao integrar ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável, com impacto direto na formação dos estudantes, na capacitação de produtores e no fortalecimento da cadeia produtiva da avicultura caipira na região”, destaca o professor Vinícius.
9. Como está sendo feita a divisão de responsabilidades entre o Ministério (recursos/estratégia) e o Campus Planaltina (execução/monitoramento) durante este período de montagem?
A implantação do Polo ocorre a partir de uma parceria institucional. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional contribui com a visão estratégica de desenvolvimento regional, articulação de políticas públicas e apoio à viabilização de recursos para fortalecer a cadeia produtiva da avicultura caipira na Ride-DF e Entorno. O IFB Campus Planaltina, por sua vez, atua na execução local, no acompanhamento da implantação, na organização das ações pedagógicas, na capacitação de produtores e trabalhadores, na articulação com a comunidade e no uso da estrutura para ensino, pesquisa e extensão. Portanto, o Ministério atua de forma
estratégica e indutora, enquanto o campus transforma essa política em ações concretas no território, junto aos estudantes, produtores e parceiros locais.
10. Como as disciplinas atuais do campus já estão sendo adaptadas para usar a estrutura do polo antes mesmo da inauguração oficial?
O Polo dialoga diretamente com várias áreas de formação do IFB Campus Planaltina, especialmente aquelas relacionadas à produção animal, avicultura, agroecologia, gestão rural, processamento de alimentos, sanidade, bem-estar animal, ambiência e extensão rural. Mesmo antes da inauguração oficial, o tema já pode ser trabalhado em sala de aula por meio de estudos de caso, projetos integradores, atividades práticas, planejamento de sistemas de criação, discussão sobre cadeia produtiva, elaboração de projetos e ações de extensão. Isso permite que os estudantes acompanhem não apenas a estrutura pronta, mas também o processo de implantação, planejamento e organização de uma política pública voltada ao desenvolvimento regional. O Polo, portanto, já começa a cumprir uma função pedagógica antes mesmo de sua operação plena.
11. Dentro do planejamento, como será feita a articulação administrativa entre a União (MIDR), o GDF e as prefeituras da Ride para garantir que o polo gere benefícios fiscais e de mobilidade para os trabalhadores de toda a região?
Essa articulação deverá ser construída de forma interinstitucional, envolvendo a União, por meio do MIDR, o GDF, as prefeituras da Ride, o IFB, órgãos de assistência técnica, vigilância sanitária, instituições de apoio ao desenvolvimento regional e representantes dos produtores. O Polo pode funcionar como um ponto de convergência para organizar esse diálogo. Questões como logística, transporte de trabalhadores, circulação de produtos, regularização sanitária, compras públicas, incentivos, acesso ao mercado e políticas de desenvolvimento regional precisam ser discutidas de maneira integrada. O IFB contribui com formação, conhecimento técnico e articulação territorial, enquanto as decisões sobre benefícios fiscais, mobilidade e políticas intermunicipais dependem dos órgãos competentes e da pactuação entre os entes públicos envolvidos.
12. Professor, no dia 14 haverá uma oficina para planejamento estratégico no IFB Campus Planaltina. Quais os principais questionamentos e ideias serão abordados?
A oficina será um momento importante para escutar os diferentes atores envolvidos e construir, de forma participativa, os caminhos para a implantação e consolidação do Polo de Avicultura Caipira. Entre os principais pontos a serem discutidos estão a identificação dos produtores da Ride-DF e Entorno, os principais gargalos da atividade, as capacitações prioritárias, a organização da produção, a regularidade da oferta, o atendimento às exigências sanitárias, a estruturação do abate de aves caipiras, o apoio à produção de ovos caipiras, a articulação com mercados, varejo e compras institucionais, além das possíveis parcerias e das responsabilidades de cada instituição. A oficina também deverá definir ações de curto, médio e longo prazo, com o objetivo de transformar o Polo em uma estratégia construída coletivamente, envolvendo produtores, instituições públicas, setor produtivo, estudantes e comunidade. Todos serão bem-vindos, e será um prazer receber a comunidade no IFB Campus Planaltina.
13. Com sua experiência acadêmica e atuação em áreas como bem-estar animal, bioclimatologia e produção avícola, como o senhor avalia a importância da avicultura caipira na Ride e de que forma esse projeto coordenado pelo IFB Campus Planaltina pode contribuir para uma produção mais sustentável e acessível aos produtores locais?
A avicultura caipira tem grande importância para a Ride-DF e Entorno porque combina tradição, geração de renda, produção de alimentos, valorização do território e oportunidades para pequenos e médios produtores. É uma atividade que pode ser desenvolvida em diferentes escalas, com forte aceitação pelo consumidor e grande potencial de agregação de valor, tanto na produção de frangos caipiras quanto na produção de ovos caipiras. Do ponto de vista técnico, porém, é fundamental que essa produção avance com atenção à sanidade, ao bem-estar animal, à ambiência, à nutrição, ao manejo adequado e à sustentabilidade dos sistemas produtivos. O IFB Campus Planaltina pode contribuir justamente por unir ensino, pesquisa e extensão. O campus tem condições de aproximar o conhecimento científico da realidade dos produtores, oferecendo capacitação, apoio técnico, formação profissional e desenvolvimento de soluções adaptadas à região. O Polo pode ajudar a tornar a avicultura caipira mais organizada, segura, sustentável e acessível, reduzindo a informalidade, melhorando a qualidade dos produtos e ampliando as oportunidades de comercialização. Mais do que um projeto produtivo, trata-se de uma estratégia de desenvolvimento regional, capaz de gerar trabalho, renda, formação de estudantes e fortalecimento da cadeia da avicultura caipira no DF, na Ride e no Entorno. O Polo da avicultura caipira e o abatedouro de frangos caipiras representam uma importante ação de extensão.


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